IRENE RESPONDE al XOKAS y DEMUESTRA ESTAR COMPLETA...

IRENE RESPONDE al XOKAS y DEMUESTRA ESTAR COMPLETAMENTE ACABADA

Resposta de Irene ao Xokas

Cheguei a um ponto em que já não consigo fingir que está tudo bem. Durante muito tempo tentei convencer-me de que o silêncio era a melhor resposta, de que ignorar as provocações, os comentários e as interpretações das pessoas acabaria por fazer tudo desaparecer. Mas não desapareceu. Pelo contrário, cresceu, ganhou força e acabou por transformar algo que era profundamente pessoal num espetáculo para milhares de pessoas.

Por isso, hoje decidi falar.

Não porque queira alimentar mais polémicas, nem porque tenha vontade de vencer qualquer discussão pública. Falo porque preciso de recuperar a minha voz. Durante demasiado tempo senti que toda a gente falava por mim. Uns diziam que eu era a vítima perfeita. Outros afirmavam que eu era a vilã da história. A verdade é que ninguém perguntou verdadeiramente como eu estava.

E é precisamente isso que quero explicar.

Estar completamente acabada não significa apenas sentir tristeza. Significa acordar todos os dias sem reconhecer a pessoa que vemos ao espelho. Significa perder a energia para fazer aquilo que antes nos fazia felizes. Significa passar horas a ler comentários de desconhecidos que acreditam conhecer toda a nossa vida com base em pequenos fragmentos de informação.

Cada mensagem, cada vídeo, cada publicação parecia acrescentar mais um peso aos meus ombros.

Houve dias em que desliguei o telemóvel e pensei que isso bastaria para recuperar a paz. Mas a internet não desaparece quando fechamos uma aplicação. Ela continua lá. As pessoas continuam a comentar, a especular, a inventar. E, quando voltamos, parece que tudo ficou ainda maior.

Não escrevo isto para culpar apenas uma pessoa.

As redes sociais funcionam de uma forma muito estranha. Transformam conflitos humanos em entretenimento. Quanto mais emoção existe, mais visualizações aparecem. Quanto mais pessoas discutem, mais o algoritmo recompensa essa discussão.

No meio disso tudo, esquecemo-nos de que existem seres humanos.

Quando olho para trás, vejo alguém que tentou ser forte durante demasiado tempo. Sorri quando queria chorar. Disse que estava tudo bem quando mal conseguia dormir. Continuei a trabalhar porque sentia que parar significava admitir derrota.

Mas ninguém consegue viver assim para sempre.

Chega um momento em que o corpo diz basta.

Chega um momento em que a mente deixa de conseguir acompanhar.

Chega um momento em que percebemos que estamos completamente esgotados.

Foi exatamente aí que eu cheguei.

Não espero que toda a gente compreenda o que senti.

Nem espero que todos concordem comigo.

Só espero que, antes de escreverem mais um comentário, pensem durante alguns segundos que existe uma pessoa do outro lado do ecrã.

Uma pessoa que também sente medo.

Que também sente vergonha.

Que também tem inseguranças.

Que também erra.

Porque, sim, eu também errei.

Nunca fui perfeita.

Nunca tentei vender essa imagem.

Ao longo deste processo tomei decisões das quais hoje não me orgulho. Disse coisas que teria preferido guardar para mim. Reagi emocionalmente em momentos em que talvez devesse ter esperado.

Mas errar não faz de ninguém um monstro.

Errar faz parte de ser humano.

Aquilo que realmente destrói uma pessoa é quando cada erro é repetido milhares de vezes por milhões de pessoas, como se nunca pudesse existir crescimento ou mudança.

É isso que dói.

É isso que desgasta.

É isso que faz alguém sentir que já não existe espaço para respirar.

Durante muito tempo achei que precisava de responder a tudo.

Hoje percebo que isso era impossível.

Nunca conseguiremos convencer quem já decidiu o que quer acreditar.

Por isso esta mensagem não existe para mudar opiniões.

Existe apenas para contar como tudo isto me afetou.

Quando digo que me senti completamente acabada, não estou a exagerar.

Houve dias em que levantar da cama parecia uma tarefa impossível.

Houve noites em que o sono simplesmente desapareceu.

Houve momentos em que pensei que talvez desaparecer da internet fosse a única solução.

Mas depois lembrava-me da pessoa que eu era antes de tudo isto.

Lembrava-me dos meus sonhos.

Dos meus amigos.

Da minha família.

Das pessoas que sempre estiveram presentes quando as câmaras estavam desligadas.

Foram elas que me lembraram que a internet não define o valor de ninguém.

Que números não medem dignidade.

Que tendências passam.

Mas as consequências emocionais permanecem durante muito tempo.

Também quero dizer uma coisa importante.

Não guardo ódio.

O ódio consome demasiado tempo e demasiada energia.

Prefiro guardar distância.

Prefiro aprender.

Prefiro seguir em frente.

Isso não significa esquecer.

Significa escolher não viver presa ao passado.

Espero sinceramente que um dia toda esta situação seja vista como um exemplo da facilidade com que transformamos pessoas em personagens.

Nenhum de nós é apenas um clipe de trinta segundos.

Nenhum de nós pode ser resumido por um título chamativo.

Todos temos dias bons.

Todos temos dias maus.

Todos temos momentos de força.

Todos temos momentos de fragilidade.

E é precisamente nesses momentos de fragilidade que mais precisamos de humanidade.

Se alguém ouvir esta mensagem e estiver a passar por algo semelhante, quero deixar uma ideia muito simples.

Pedir ajuda não é sinal de fraqueza.

Falar sobre aquilo que sentimos não nos torna menos fortes.

Muito pelo contrário.

Às vezes, admitir que estamos cansados é o primeiro passo para recuperar.

Hoje continuo a reconstruir-me.

Ainda existem dias difíceis.

Ainda existem comentários que magoam.

Ainda existem momentos em que me pergunto se tudo isto valeu a pena.

Mas também existem dias em que volto a sorrir sem esforço.

Dias em que consigo desligar o ruído.

Dias em que recordo quem realmente sou.

É nesses dias que encontro esperança.

E essa esperança é suficiente para continuar.

A quem me apoiou em silêncio, sem exigir explicações, sem pedir provas, sem transformar a minha dor em conteúdo, o meu mais sincero obrigado.

Vocês lembraram-me de que a empatia continua a existir.

A quem continua a discordar de mim, respeito esse direito. Só peço que a crítica nunca deixe de reconhecer a humanidade de quem está do outro lado.

Porque, no fim, todos nós vamos cometer erros.

Todos nós vamos precisar de compreensão em algum momento.

E todos nós gostaríamos de ser julgados pelo conjunto da nossa vida, e não apenas pelo pior capítulo dela.

É isso que levo comigo.

Não a polémica.

Não os números.

Não os títulos.

Mas a convicção de que vale sempre a pena preservar a nossa dignidade, mesmo quando sentimos que estamos completamente acabados.

Hoje não falo para vencer ninguém.

Falo para fechar um ciclo.

Para recuperar a paz.

Para voltar a viver sem sentir que cada passo será transformado num julgamento público.

Se isso acontecer imediatamente? Provavelmente não.

Mas acredito que cada escolha consciente nos aproxima um pouco mais da pessoa que queremos ser.

E essa é a única vitória que realmente importa.

A partir de hoje escolho continuar.

Escolho cuidar de mim.

Escolho proteger a minha saúde mental.

Escolho rodear-me de pessoas que me conhecem para além da internet.

E escolho acreditar que, mesmo depois dos momentos mais difíceis, ainda é possível recomeçar.

É isso que vou fazer.

Recomeçar.

Si quieres, también puedo escribir una versión con un tono más emocional, más confrontativo o más sereno.

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